A noite acabou num piscar de olhos. Piscar esse que não
vimos acontecer, já que depois de algumas horas rindo das palhaçadas que Luan
fazia, eu acabei dormindo. Quando eu acordei, o vi na minha frente. Mas foi com
alguém me chamando.
-Acorda Nanda. –Era o Tony. Ele era meu irmão só por
parte de pai Ele era um ano mais novo do que eu, mas ninguém dizia isso.- O que
aconteceu aqui?
Eu: Quê? Que
horas são?
Tony: São
sete.
Eu: O que?
Luan... –chamei ele- Luan, já amanheceu.
Luan: Que hora
é essa?
Eu: São sete
da manhã.
Luan: Droga. –ele
levantou e foi pro telefone. Enquanto
ele falava, Tony me puxou pra um pouco longe.
Tony: Cê pode
me explicar o que aconteceu aqui?
Eu: A gente
ficou mais ou menos ilhado aqui. Por quê?
Tony: Como
assim por quê? Desde quando é normal você dormir aqui? E com qualquer um?
Eu: Não é
qualquer um. E eu não tinha como sair daqui. –ele respirou fundo.
Tony: Tá bom.
Mas não pense que eu vou esquecer.
Eu: Bobinho...
Tony: E a sua
mãe?
Eu: Plantão,
não tinha como ela me buscar. Deve chegar agora de manhã. –vi que meu celular
estava sem bateria. Luan foi pra onde a gente estava.
Luan: Pronto,
já já eles vem buscar o carro. Tem algum lugar aqui perto pra gente comer?:
Eu e Luan estávamos numa padaria do outro lado da rua,
rindo por causa da nossa “grande
inteligência”. O restaurante da Sonia estava ao nosso lado o tempo inteiro,
claro e quente, enquanto ficávamos no escuro e encolhidos de frio. A padaria
começou a encher e as pessoas olhavam para o Luan e depois pra mim, com
curiosidade. Até eu olharia (tá, principalmente eu). Um dos artistas mais bem
pagos do Brasil tomando café da manhã numa padaria de esquina com uma garota
desengonçada. Quem não ficaria curioso?
O guincho chegou e Luan foi até o outro lado da rua, mas
ainda me olhavam. Comecei a me incomodar com aquilo e enquanto Luan ainda
estava do outro lado, fui até o balcão e paguei a conta e atravessei também.
Olhei o carro do Luan indo embora.
Luan: Fica aí
que eu vou lá pagar e volto.
Eu: Eu já
paguei.
Luan: Por quê?
Eu: Porque sou
uma mulher independente. –eu ri, mas Luan continuou sério- Vai Luan, foi
baratinho.
Luan: Então eu
vou te levar pra casa.
Eu: De
cavalinho?
Luan: Não, de
táxi. –consegui fazer ele rir.
Eu: Eu moro
perto, vou de bicicleta mesmo.
Luan: Não. Eu
vou te levar, e ponto final.
Ali eu já percebi que não ia conseguir convence-lo. Ele
ia me levar pra casa nem que fosse me arrastando.
Eu: Tá bom
então. –nessa hora o Tiago veio do outro lado da rua, de skate.
Tiago: Bom
dia. –ele fez cara de poucos amigos.
Eu: Bom dia
Ti.
Tiago: Já vai
abrir?
Eu: Não, não
vou abrir agora de manhã. Eu preciso dormir, meu corpo tá com saudade da minha
cama. –desejei não ter aberto a boca. Pela cara que Tiago olhou pra mim e pra Luan,
pensou que tinha acontecido alguma coisa. Com certeza algo bem diferente do
ocorrido.
Tiago: Então
tudo bem. Depois a gente se fala. –ele deu impulso no skate e saiu. Na verdade,
eu não me importava com o que ele pensava.
Me importei mais com a menina que estava do outro lado da
rua com o celular em nossa direção. Peraí... celular? Se iríamos sair, teríamos
de ir logo, antes que ela tirasse mais fotos do que com certeza tinham tirado.
Eu: Você chama
o táxi então, que eu vou fechar a loja direito. –chequei tudo e então escrevi
num papel e colei na porta “abriremos Às 15h” como se alguém se importasse.
Quando voltei, Luan estava no lado de fora do táxi,
coma porta aberta me esperando. Entrei e
falei o endereço da minha casa ao taxista, que felizmente parecia ser discreto.
Luan entrou logo depois de mim. Cinco minutos depois, paramos na frente da
minha casa. O carro da minha mãe já estava na garagem. Sorte minha seria se ela
tivesse apenas chegado e se jogado na cama.
Luan: Ainda te
devo uma.
Eu: Não deve
nada.
Luan: Devo
sim! Você me deu abrigo a noite toda. Amanhã eu te pego aqui às oito. –aquilo não
era uma pergunta.
Eu: Vou pensar
se vou me arrumar. –ri baixinho- Agora eu só quero dormir.
Luan: Tudo
bem.
Eu: É...
tchau?
Luan: Até
amanhã.
Eu: Não lhe
garanto nada. –disse e saí do carro.
