Vinte e Nove

Quando cheguei em casa, fui direto até o quarto do Tony. Bati algumas vezes, mas ele não abriu, então girei a maçaneta. Ele estava sentado na cama, ouvindo música. Sentei do seu lado. Ele olhou pra mim, e depois continuou a olhar pra frente, Tirei seus fones.
Eu: Vai atrás dela.
Tony: O que?
Eu: Vai atrás da Bruna.
Tony: Eu não posso.
Eu: Por quê? Vai atrás dela agora Antônio, esquece esse acordo.
Tony: Você já foi atrás do Luan.
Eu: Não. A gente se encontrou sem querer. Eu acho.
Tony: Toda vez que vocês se veem é por acaso.
Eu: É sério. Eu só saí pedalando. –fiquei olhando pra mesma direção que ele por um longo tempo. –Ele não fugiu. –eu disse e Tony riu.
Tony: Você é teimosa.
Eu: Você também é.
Ele me deu um beijo na bochecha e se levantou.
Tony: Não vai brigar com ela caso ela ainda me queira, vai?
Eu: Bom, se você me der uma roupa pra compensar a de ontem, eu na vou não.
Tony: O que que teve ontem???
Eu: Esquece, nada muito importante. Vai lá.
Tony: Desculpa por ter gritado com você?
Eu: Vamos começar de novo. Esquece essa história.
Tony: Tudo bem. Olha, eu... não tenho o direito de me meter na sua vida, eu sei. Foi só uma tentativa de te proteger. Fazer meu papel de irmão. Um dia você vai entender.
Eu: Eu te amo. –levantei e abracei ele.
Tony: Também te amo mana.

FERNANDA OFF/BRUNA ON

Nunca fui de explodir fácil. Mas não agi por outro motivo a não ser ciúmes. Luan levar alguém pra casa era novidade, mas uma novidade que eu não havia gostado nem um pouco, então tratei de torcer o bico sem nem antes perguntar quem era. Mas depois eu me lembrei de onde conhecia aquele rosto.
O Tony ficava feliz ao falar da irmã, e quando ele me disse que achava melhor que a gente não se visse mais, foi ela que me veio na cabeça. Ele disse que precisava de um tempo pra ele, mesmo a gente não tendo nada sério, mas eu sentia que ela tinha alguma coisa a ver com aquilo. Pressionei até que ele contou o que tinha feito. Disse que tinha sido ideia dele, mas uma vozinha me dizia que ela também tinha dedo nisso. Na minha cabeça, ela tinha conseguido o que queria do Luan e então convenceu o Tony a terminar algo que nem tinha começado comigo. Mas confesso que tinha passado dos limites um dia antes. Tinha bebido um pouco demais. Achava aquilo desnecessário, mas queria esquecer tudo e aproveitei que estava com o Luan e mais alguns amigos e bebi além do normal. Até que percebi um olhar em mim, e quando virei, era ela. Eu precisava fazer alguma coisa. Eu gostava muito do Tony. Ele sempre tinha tempo pra me ouvir, algum comentário fofo pra fazer... Consegui ganhar meu coração em pouco tempo, mesmo sendo brincalhão e teimoso. Não ia simplesmente deixar passar em branco o que ela tinha feito.
Peguei outra bebida no bar e não pensei duas vezes antes de jogar nela. Depois disso, ela sumiu.
Minha mãe bateu na porta do meu quarto.
Marizete: Filha, desce aqui um pouco?
Eu: Tá bem. –desci e fiquei surpresa com o que vi. Tony estava sentado ao lado de meu pai, e quando me viu, se levantou.
Tony: Boa noite Bru. –ele sorriu e era automático eu sorrir também.
Eu: Oi Tony. O que cê veio fazer aqui?
Tony: Bem, eu já conversei com seus pais, e agora só falta uma resposta sua.
Eu: O que?

Tony: Bruna... –ele me estendeu um bombom- Você aceita namorar comigo?

ASSIM, SÓ PRA AVISAR... EU TINHA ESQUECIDO DE ATIVAR COMENTÁRIOS ANÔNIMOS. JÁ ATIVEI U.U KKKKKK BEIJINHOS DA DAN :*

Vinte e Oito

Ele se levantou e foi na direção da saída.
Eu: Onde você vai?
Luan parou em frente a porta.
Luan: Tenho que parar de fugir. Desculpa, foi um reflexo.
Eu: Reflexo? Sempre que alguém te fala que está apaixonada por você, você sai pela porta mais próxima?
Luan: É.
Olhei pra ele, perplexa.
Luan: Mas não é o seu caso, com você é diferente. Já ouvi tanto isso que me acostumei sempre a fugir.
Eu: Do que você esta falando?
Luan: De mulheres apaixonadas por mim. Na verdade pelo meu dinheiro, minha fama... Eu to tão cansado de ouvir isso que me acostumei a sempre sair correndo.
Senti meus olhos lacrimejarem.
Eu: Não sou interesseira..
Luan: Não, eu sei que você não é. Você é diferente. –ele segurou meus braços- Assim que eu te vi, soube disso. Quando eu vi seu sorriso... fazia tanto tempo que eu não via aquilo, um sorriso sincero... Eu não queria só um beijo. Queria um milhão, um trilhão de beijos seus, todos os que eu tinha direito e mais alguns roubados. Queria poder te ver todo dia, quem sabe acordar e te ver do meu lado, queria brigar com você e cinco minutos depois ligar pedindo desculpas.. Era isso o que eu queria. Desde que eu te vi com o olhar surpreso quando me viu pela primeira vez, quando eu te vi dormindo, quando te joguei na água fria e depois acabei preocupado se você não ia acabar com um resfriado, quando você fingiu que não ligava pra o que eu fazia na balada... Eu sempre quis estar com você.
Eu: E a Renata?
Luan: A Renata é da produção, é uma amiga minha e só. Eu nem tentei, mas sabia que não ai  conseguir fica com mais ninguém.
Eu: E... como a gente fica?
Luan: Junto. Se você quiser. –eu sorri.
Eu: É lógico que quero. –beijei ele.
Luan sorriu entre o beijo , depois me abraçou.
Luan: Desfaz esse acordo e namora comigo?
Eu: Sim, sim, sim, mil vezes sim! –deixei uma lágrima cair e ele enxugou.
Luan: Eu te amo tanto...
Eu: Te amo também, demais.
Ficamos um tempo lá na casa.
Luan: A gente apaga o passado. Eu quero ficar com você, disso eu tenho certeza. Não importa muito o que  veio antes. –eu estava deitada no colo dele- Você vai falar com seu irmão hoje?
Eu: Assim que chegar.
Luan: Ah, já sei! A gente podia falar pra todo mundo que tá namorando quando minha família for pra chácara. Semana que vem. Aí a gente vai também. Tudo bem?
Assenti.
Eu: Tenho que ir.
Luan: Eu também. A gente se perdeu no tempo aqui. –me sentei do lado dele.
Eu: É tão estranho isso...
Luan: O que?
Eu: É que eu nunca namorei.
Luan: Me ensina a fazer renda, que eu te ensino a namorar... –ele cantarolou- Tudo no seu tempo. Não é tão complicado.
Acabou que ficamos conversando mais um pouco antes de ir pra casa. Eu parecia uma boba que não tirava o sorriso do rosto.


DESISTO DE PEDIR COMENTÁRIOS, MAS ESPERO QUE GOSTEM DO RUMO QUE A HISTÓRIA VAI TOMAR.

Vinte e Sete

Quando dei por mim, já estava em minha antiga casa, com a placa de “vende-se” na frente. Coloquei meus óculos escuros pra disfarçar o chora e peguei as chaves nas mãos do vizinho. Entrei na casa e encarei a sala vazia. Me lembrei das coisas que vivi ali.
Foi a terceira casa em que morei, mas foi onde passei a maior parte do tempo. Foi ali que eu cheguei eufórica após o meu primeiro beijo e foi ali onde eu tive minha primeira vez. Eu e o Tiago. Talvez isso tenha estragado tudo, porque tínhamos uma amizade super forte antes disso. Era pra ser só aquilo, mas depois ele começou a me dizer que estava apaixonado, coisa que não aconteceu comigo. Eu bem que tentei, afinal sempre ouvi dizer que se entregar para o outro era uma forma de provar o amor, mas nem nossa amizade voltou a ser como era antes.
Acho que finalmente eu tinha me apaixonado, mas pela pessoa errada. Talvez os arrepios sempre que ele me chamava de Nanda, o jeito que ele falava aquilo... E seu beijo. Sim, o beijo dele foi perfeito. Lento, saboroso, marcante e... bem, foi molhado, afinal nós estávamos embaixo de chuva.
Talvez o conjunto que fazia dele uma das coisas mais perfeitas da Terra o fizesse ser uma armadilha pra mim.
Onde eu fui me meter? Eu lia todas as entrevistas que o Luan dava, e ele sempre dizia que uma mulher pra ficar com ele ia sofrer, que não estava pensando em relacionamento...
Comecei a ter vários pensamentos “e se?” E se não tivesse chovido naquele dia? E se não tivesse acontecido o nosso “piquenique”? E se... “toc toc toc”. Bateram na porta.
Fui ate lá e abri. Tomei um pequeno susto, afinal eu não esperava vê-lo. Mas ele estava lá. Parado na frente da porta, esperando que eu fosse abri-la.
Luan: Oi.
Eu: Oi. Entra. –assim ele fez.
Luan: Então essa é sua casa?
Eu: Costumava ser.
Luan: Veio matar saudades?
Eu: Só queria ficar um pouco sozinha.
Luan: Ah, eu não queria atrapalhar. Só te vi entrando e...
Eu: Não, não! Quem sabe você... Me faz companhia.
Luan: O que aconteceu?
Eu: Tanta coisa... Eu tô confusa. –me sentei no chão
Luan: Desculpa.
Eu: Pelo que?
Luan: Pelo beijo. Foi isso o que te deixou confusa. Você disse que a gente só ser amigo tava bom, mas mesmo assim eu insisti e agora talvez isso fique um pouco estranho.
Eu: Não Luan, eu gostei daquele beijo. É meio estranho dizer isso, mas às vezes eu ficava imaginando como seria te beijar. –ele se sentou de frente pra mim.
Luan: E eu... Pelo menos cheguei perto do que você pensou?
Eu: Você superou minhas expectativas. –rimos.
Luan: O que está te deixando tão confusa então?
Eu: Fiz um acordo com o Tony. Eu ficava longe de você e ele da Bruna. Foi um acordo ridículo, eu sei. Ele disse que não era bom pra nossa relação que a gente... ficasse com pessoas da mesma família. Eu só queria sua amizade, então eu aceitei. Mas depois eu vi que tinha alguma cosia diferente. Eu... Eu me apaixonei por você.  Fui ligando tudo e talvez só tenha parecido mas... o piquenique, o jantar, não pareceram encontros de amigos, e te ver olhando pra outras mulheres me enfureceu. E então eu percebi que... o que eu sentia por você era mais que amizade. Eu me apaixonei por você.
Desabafei. Ele ficou me olhando por um bom tempo, sério.

Eu: Não vai falar nada?

Vinte e Seis

Acordei e fiquei olhando pro teto, em o mínimo de ânimo pra levantar. “Analisei” o que eu estava vestindo. Talvez fosse melhor eu devolve-la. Ou talvez não. Talvez ele nem lembrasse mais, ou nem quisesse me ver. Luan já tinha ganhado o beijo que queria, o que o faria me ligar de novo ou me chamar pra sair outra vez? Eu não fazia muita diferença na vida dele, afinal de conta.
Tomei um banho demorado e me olhei no espelho. Eu tinha emagrecido. Realmente não vinha me alimentando direito faziam alguns dias, o que era estranho, já que sempre fui muito boa de garfo.
Era domingo e a loja não abriria. No outro dia também não, já que a minha tia tinha me chamado pra uma “reunião de emergência”. Desci pra tomar café. Estávamos todos juntos, eu, meu pai, a Janete e o Tony.
Eu: Bom dia. –me sentei.
Todos: Bom dia.
Tony: Mana, depois a gente vai dar uma volta pelo condomínio, tá bom?
Eu: Tá bem. –respondi meio desconfiada. Meu pensamento sobre a noite anterior se repetia em minha cabeça. Olhava pro Tony e pensava se deveria contar ou não.
Acabei perdendo a fome, mas tinha de disfarçar, ou então certamente meu pai viria perguntar o que tinha acontecido. Eu não gostava daquilo, sabia que não poderíamos ser melhores amigos nem em mil anos.
Me irritei comigo mesma e acabei ficando com raiva de tudo e de todos. Era uma coisa que normalmente eu fazia, mas ninguém tinha culpa do que eu fiz. E por mais raiva que sentisse... eu não estava arrependida.
Depois que tomei café, liguei para a Lia.
Lia: Oi amiga.
Eu: Oiii.
Lia: E aí, o que aconteceu.
Parei pra pensar. E se eu fingisse ate pra mim mesma que nada aconteceu? Talvez isso fosse realmente o que eu precisava fazer.
Eu: Nada.
Agi por impulso mais uma vez. Eu odiava mentir, mas se eu falasse o que realmente aconteceu, teria que admitir isso ao Tony também, e se tinha uma coisa que eu não queria fazer era magoa-lo. Tentar mentir pra mim também talvez ajudasse
Lia: Nada?
Eu: Nada. Começou a chover e ele me levou pra casa.
Lia: Ah... então tá. –Tony entrou em meu quarto.
Tony: Nanda, vamos? Tô precisando me exercitar.
Eu: Amiga, tenho que ir. Depois eu te ligo, tá bom?
Lia: Tá bom, beijo.
Eu: Beijo amiga.
Quando desliguei, vi que o Tony estava fazendo poses na frente do espelho. Joguei uma almofada nele e ri.
Eu: Isso tá ridículo, para. –ele riu também- A gente vai de bike?
Tony: É.
Eu: Vou trocar de roupa então. Sai daqui.
Tony: Quando terminar me chama.
Eu: Tá. –ele saiu.
Eu escolhi a roupa e coloquei, amarrei meu cabelo num coque, peguei meus óculos escuros, meu celular e fui no quarto dele.
Eu: Tony?
Tony: Tô no banheiro, espera aí.
Sentei na cama dele. Vi uma foto embaixo da escrivaninha e fui pegar. Era dele com a Bruna. Me veio um nó na garganta. Eles pareciam felizes. Mas se ele gostava dela, porque quis fazer aquele acordo ridículo? Ouvi a porta do banheiro se abrir e guardei a foto na minha roupa.
Tony: Vamos?
Eu: Vamos.
Pegamos nossas bicicletas e saímos. O condomínio era enorme, com muita área verde e principalmente, bastante espaço pra andar de bicicleta.
Depois de pedalar por um tempo, nos sentamos.
Tony: Eu te vi chegar ontem.
Eu: Hm... eu sabia que você ia me ver.
Tony: Não aconteceu nada, aconteceu?
Estava perdida, encurralada. Não sabia se ia aguentar mentir mais uma vez.
Eu: Porque você quis fazer esse acordo se você gosta dela?
Tony: Não estamos falando de mim.
Eu: Ah, estamos sim. Você que me sugeriu esse acordo sem nem me dizer o por que.
Tony: Porque é o melhor. –ele disse chutando uma pedra.
Eu: Pra quem? Você não tá feliz, eu não tô feliz, a Bruna também não tá e o Luan... eu não sei o que tem o Luan.

Tony: Sabe sim. Você quer saber o motivo, eu te dou o motivo: ele! Você acha que eu quero ver você do mesmo jeito que as mulheres que ele pega por aí? As coisas que ele faz... aquilo é ridículo! Pelo amor de Deus, Fernanda, VOCE NÃO É UMA VAGABUNDA, NÃO HAJA COMO SE FOSSE! –ele gritou. Senti meu rosto se encharcar de lágrimas, peguei minha bicicleta e saí dali.

VISHE AMORES, O CLIMA PESOU VIU? O QUE CES ACHAM QUE VEM AGORA? 05 COMENTS/REAÇÕES PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO. ;)
P.S.: A SAGA SINAIS, AGORA ESTÁ NO INSTAGRAM. Õ/ SIGAM @SAGASINAIS
BEIJINHOS DA DAN. =D