Vinte e Sete

Quando dei por mim, já estava em minha antiga casa, com a placa de “vende-se” na frente. Coloquei meus óculos escuros pra disfarçar o chora e peguei as chaves nas mãos do vizinho. Entrei na casa e encarei a sala vazia. Me lembrei das coisas que vivi ali.
Foi a terceira casa em que morei, mas foi onde passei a maior parte do tempo. Foi ali que eu cheguei eufórica após o meu primeiro beijo e foi ali onde eu tive minha primeira vez. Eu e o Tiago. Talvez isso tenha estragado tudo, porque tínhamos uma amizade super forte antes disso. Era pra ser só aquilo, mas depois ele começou a me dizer que estava apaixonado, coisa que não aconteceu comigo. Eu bem que tentei, afinal sempre ouvi dizer que se entregar para o outro era uma forma de provar o amor, mas nem nossa amizade voltou a ser como era antes.
Acho que finalmente eu tinha me apaixonado, mas pela pessoa errada. Talvez os arrepios sempre que ele me chamava de Nanda, o jeito que ele falava aquilo... E seu beijo. Sim, o beijo dele foi perfeito. Lento, saboroso, marcante e... bem, foi molhado, afinal nós estávamos embaixo de chuva.
Talvez o conjunto que fazia dele uma das coisas mais perfeitas da Terra o fizesse ser uma armadilha pra mim.
Onde eu fui me meter? Eu lia todas as entrevistas que o Luan dava, e ele sempre dizia que uma mulher pra ficar com ele ia sofrer, que não estava pensando em relacionamento...
Comecei a ter vários pensamentos “e se?” E se não tivesse chovido naquele dia? E se não tivesse acontecido o nosso “piquenique”? E se... “toc toc toc”. Bateram na porta.
Fui ate lá e abri. Tomei um pequeno susto, afinal eu não esperava vê-lo. Mas ele estava lá. Parado na frente da porta, esperando que eu fosse abri-la.
Luan: Oi.
Eu: Oi. Entra. –assim ele fez.
Luan: Então essa é sua casa?
Eu: Costumava ser.
Luan: Veio matar saudades?
Eu: Só queria ficar um pouco sozinha.
Luan: Ah, eu não queria atrapalhar. Só te vi entrando e...
Eu: Não, não! Quem sabe você... Me faz companhia.
Luan: O que aconteceu?
Eu: Tanta coisa... Eu tô confusa. –me sentei no chão
Luan: Desculpa.
Eu: Pelo que?
Luan: Pelo beijo. Foi isso o que te deixou confusa. Você disse que a gente só ser amigo tava bom, mas mesmo assim eu insisti e agora talvez isso fique um pouco estranho.
Eu: Não Luan, eu gostei daquele beijo. É meio estranho dizer isso, mas às vezes eu ficava imaginando como seria te beijar. –ele se sentou de frente pra mim.
Luan: E eu... Pelo menos cheguei perto do que você pensou?
Eu: Você superou minhas expectativas. –rimos.
Luan: O que está te deixando tão confusa então?
Eu: Fiz um acordo com o Tony. Eu ficava longe de você e ele da Bruna. Foi um acordo ridículo, eu sei. Ele disse que não era bom pra nossa relação que a gente... ficasse com pessoas da mesma família. Eu só queria sua amizade, então eu aceitei. Mas depois eu vi que tinha alguma cosia diferente. Eu... Eu me apaixonei por você.  Fui ligando tudo e talvez só tenha parecido mas... o piquenique, o jantar, não pareceram encontros de amigos, e te ver olhando pra outras mulheres me enfureceu. E então eu percebi que... o que eu sentia por você era mais que amizade. Eu me apaixonei por você.
Desabafei. Ele ficou me olhando por um bom tempo, sério.

Eu: Não vai falar nada?

Nenhum comentário:

Postar um comentário