Dois

“oi amors, tô no trabalho, mas isso aqui tá tão vazio que não tem nem uma mosquinha pra me fazer companhia :c”
Foi meu primeiro tweet do dia no meu fc pro Luan. No dia anterior, eu realmente tive um bom rendimento, mas naquele dia, a única pessoa que tinha entrado ali, olhou muito e não levou nada. Aquele dia estava uma droga.
Já havia anoitecido quando um carro preto estacionou em frente à loja. Alguém estacionar ali era um tipo de milagre. Ninguém saiu por algum tempo, então eu desanimei.  Mandei um tweet pro Luan, mesmo sabendo que provavelmente ele nunca leria “@luansantana queria que você estivesse aqui.”
A porta do carro se abriu e eu gelei. Cara, não era possível! Meu coração começou a bater rápido demais, eu comecei a suar e acho que eu morri por alguns segundos quando o Luan entrou na loja. O Luan! Ele se virou pro balcão e sorriu. Eu sorri de volta, quase tendo um ataque cardíaco. Ele foi pra parte dos boxes e eu disfarçadamente olhei pra cada centímetro dele. Ele olhou pro balcão de novo e eu fingi estar concentrada no computador. O CD que eu tinha colocado terminou, e então eu coloquei o DVD do Coldplay. Estava de costas e aproveitando pra tentar me controlar. Dei play, respirei fundo e m virei. Tomei um pequeno susto quando vi o Luan já no balcão.
Eu: Boa noite. –tentava diminuir meu sorriso
Luan: Boa noite. –meu Deus, aquilo tava acontecendo mesmo? Eu tava atendendo o meu ídolo? Ele me deu o mesmo DVD que eu tinha escolhido alguns segundos antes, o do Coldplay.
Eu: Boa escolha. –consegui dizer e rimos.
Agi normalmente (ou pelo menos acho que agi) e registrei a compra. A parte mais difícil foi dar a ele o cupom fiscal, pois sabia que ele ia embora.
Luan: Obrigado. –ele disse.
Eu: Obrigado você. Volte sempre. –“Sim, volte sempre. Todos os dias. Fique aqui, se necessário.” Eu pensei, mas ele não ficou. Saiu da loja e abriu o carro. Antes de entrar, me olhou, olhou pro nome da loja e então entrou no carro.
Eu: Ah meu Deus! –exclamei quando ele foi embora. Peguei o meu celular tremendo- Amiga, acho que o Luan tá me vigiando. –eu ri ao mesmo tempo em que quase não acreditava no que tinha acontecido.

Eu: Quando eu vi o carro saindo dali, eu quase morri! Eu devia ter abraçado  ele, sei lá, qualquer coisa, menos deixar ele sair daquele jeito.  –a mesma história que eu tinha contado para minhas amigas, agora eu contava para a minha mãe.
Luiza: Você deveria ter sequestrado ele. –ela disse
Eu: Nossa, que ótimo conselho, mãe! Só se fosse sequestrar ele pra nunca mais devolver. –rimos.
Luiza: Mas além dele, tiveram muitos clientes hoje?
Eu: Não, só ele. Pra mim valeu por mil, mas pra loja...
Luiza: Talvez não é pra ser, filha.
Eu: É, acho que o jeito vai ser prestar vestibular pra qualquer coisa mesmo... –larguei o garfo de lado- Perdi a fome, acho que vou tentar dormir. Boa noite mãe.
Luiza: Boa noite Nanda.

Custei pra demorar a dormir. Eu não conseguia acreditar que eu tinha “conhecido” o Luan, mas chorei mais por não saber o que fazer da vida. Eu me sentia uma imprestável no mundo, e olha que eu achava que naquela loja, eu tinha achado o meu lugar.

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