Me sequei, mas não tinha como secar muito as roupas. Coloquei
minha calça de volta e a camisa do Luan. Sequei meu cabelo com a toalha e ouvi
uma discussão do lado de fora. Saí do banheiro e fiquei perto da porta do
quarto.
Bruna: Hoje é
ela e amanhã vai ser quem? Eu nãos ou obrigada a ficar vendo a cara das
mulheres que você pega na rua. Muito menos dar as MINHAS roupas pra uma vadia
qualquer.
Luan: Não fala
assim da Fernanda, Bruna! A gente é amigo só, e mesmo que eu tivesse ficado com
ela, o que te custaria emprestar uma muda de roupa pra garota?
Ouvi uma outra voz, que pareceu a de seu Amarildo.
-O que tá acontecendo?
Bruna: Nada
pai. –ouvi uma porta bater e me encostei na parede. Luan entrou no quarto e
olhou pra mim, balançado a cabeça.
Luan: Você
ouviu?
Eu: Ouvi. Não
tá certo vocês brigarem por minha causa.
Luan: Ela não devia
ter falado de você daquele jeito. –eu ia dizer o que eu sempre dizia “tudo bem”,
mas não estava tudo bem.- Vem, vou te levar pra casa.
Eu: Seus pais
já chegaram?
Luan: Só o meu
pai. –ele sorriu- Depois cê vem me dizer que não é tímida... –peguei a minha
blusa.
Não vi seu Amarildo quando saí. Eu e Luan fomos em
silêncio até a minha casa.
Eu: Obrigado.
Foi bem legal hoje. Desculpa por...
Luan: Me desculpa
você. Foi desnecessária a última parte.
Eu: Relaxa
Luan. É sério, tá tudo bem.
Luan: Então...
A gente se vê.
Eu: É, a gente
se vê. –eu não queria sair. Luan ia viajar no dia seguinte e só voltaria na
outra semana. Nos abraçamos. Era meu primeiro abraço com o Luan, meu sonho
realizado. Então eu saí do carro e quando entrei em casa fui direto pro quarto.
Tirei minha calça e me deitei na cama só com a camisa do Luan. Era macia assim
como o abraço dele. Me deu vontade de abraçar ele de novo. Essa era a vontade
que eu mais tinha nos últimos anos, e depois do primeiro, só me deu vontade de
ganhar mais. Tirei uma foto e postei no Instagram com a legenda “hoje NINGUÉM vai estragar minha noite...
hahahaha Bons sonhos amiguinhos!” Curti algumas fotos e depois acabei
pegando no sono.
Acordei no mesmo horário de sempre e me arrumei pra ir
pra loja.
Quando desci, a minha mãe tava na cozinha me esperando
pra tomar o café da manhã.
Eu: Bom dia
mãe. –dei um beijo nela.
Luiza: Bom dia
Nanda. A gente precisa conversar. –ela falou séria.
Eu: O que
aconteceu?
Luiza: Nada.
Ainda. Recebi um convite pra ir pra São Paulo. Vão abrir um hospital da rede lá
e querem que eu vá. Eu... queria saber o
que você acha.
Eu: Ah mãe, é
seu trabalho. Mas é que eu... Eu não queria sair de Londrina agora.
A campainha tocou desesperadamente. Fui atender e dei de
cara coma Lia com o celular na mão.
Lia: Você não faz
ideia da bagunça que tá na Internet.
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