Oito

Me sequei, mas não tinha como secar muito as roupas. Coloquei minha calça de volta e a camisa do Luan. Sequei meu cabelo com a toalha e ouvi uma discussão do lado de fora. Saí do banheiro e fiquei perto da porta do quarto.
Bruna: Hoje é ela e amanhã vai ser quem? Eu nãos ou obrigada a ficar vendo a cara das mulheres que você pega na rua. Muito menos dar as MINHAS roupas pra uma vadia qualquer.
Luan: Não fala assim da Fernanda, Bruna! A gente é amigo só, e mesmo que eu tivesse ficado com ela, o que te custaria emprestar uma muda de roupa pra garota?
Ouvi uma outra voz, que pareceu a de seu Amarildo.
-O que tá acontecendo?
Bruna: Nada pai. –ouvi uma porta bater e me encostei na parede. Luan entrou no quarto e olhou pra mim, balançado a cabeça.
Luan: Você ouviu?
Eu: Ouvi. Não tá certo vocês brigarem por minha causa.
Luan: Ela não devia ter falado de você daquele jeito. –eu ia dizer o que eu sempre dizia “tudo bem”, mas não estava tudo bem.- Vem, vou te levar pra casa.
Eu: Seus pais já chegaram?
Luan: Só o meu pai. –ele sorriu- Depois cê vem me dizer que não é tímida... –peguei a minha blusa.
Não vi seu Amarildo quando saí. Eu e Luan fomos em silêncio até a minha casa.
Eu: Obrigado. Foi bem legal hoje. Desculpa por...
Luan: Me desculpa você. Foi desnecessária a última parte.
Eu: Relaxa Luan. É sério, tá tudo bem.
Luan: Então... A gente se vê.
Eu: É, a gente se vê. –eu não queria sair. Luan ia viajar no dia seguinte e só voltaria na outra semana. Nos abraçamos. Era meu primeiro abraço com o Luan, meu sonho realizado. Então eu saí do carro e quando entrei em casa fui direto pro quarto. Tirei minha calça e me deitei na cama só com a camisa do Luan. Era macia assim como o abraço dele. Me deu vontade de abraçar ele de novo. Essa era a vontade que eu mais tinha nos últimos anos, e depois do primeiro, só me deu vontade de ganhar mais. Tirei uma foto e postei no Instagram com a legenda “hoje NINGUÉM vai estragar minha noite... hahahaha Bons sonhos amiguinhos!” Curti algumas fotos e depois acabei pegando no sono.

Acordei no mesmo horário de sempre e me arrumei pra ir pra loja.

Quando desci, a minha mãe tava na cozinha me esperando pra tomar o café da manhã.
Eu: Bom dia mãe. –dei um beijo nela.
Luiza: Bom dia Nanda. A gente precisa conversar. –ela falou séria.
Eu: O que aconteceu?
Luiza: Nada. Ainda. Recebi um convite pra ir pra São Paulo. Vão abrir um hospital da rede lá  e querem que eu vá. Eu... queria saber o que você acha.
Eu: Ah mãe, é seu trabalho. Mas é que eu... Eu não queria sair de Londrina agora.
A campainha tocou desesperadamente. Fui atender e dei de cara coma Lia com o celular na mão.

Lia: Você não faz ideia da bagunça que tá na Internet.

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