LUAN ON
Acordei pela terceira vez seguida. Eu não queria
levantar, também não podia ficar na cama o resto do dia.
Disquei o número da Fernanda, mas não liguei. Se eu
ligasse, o que eu ia dizer? “Ei, não quero ser seu amigo porque estou
estupidamente apaixonado”. Não, eu ai acabar estragando tudo. O plano A foi por
agua abaixo, o B também. E agora só me sobrava o C: tentar esquece-la.
Mas seria difícil parar de vê-la de vez, então comecei a
achar bom ser amiga dela. Sim, era masoquismo. Mas eu não ia conseguir deixar
de falar com a Fernanda de vez. Talvez eu descobrisse defeito dela que fosse irremediável
e eu deixasse de gostar dela. É, era isso o que eu iria fazer.
LUAN OFF/FERNANDA ON
Quem iria ligar primeiro? Quem deveria fazer isso? Tá, eu
usei uma desculpa ridícula pra ter fugido. E ele desligou sem ao menos me dizer
tchau! Eu não ia ligar. Aquilo foi como “não quero ser seu amigo, não quero
falar com você”
Mas eu não queria deixar de falar com ele. Era bom
conversar com Luan. Ele sempre me fazia rir, sempre me animava e... não podia
continuar com aquilo. Se eu ficasse conversando e rindo com ele, me
apaixonaria. Ainda mais.
Lá estava eu, indo em direção ao Royal Park. Parei minha
bicicleta do outro lado e fiquei olhando lá pra dentro. O que eu estava
esperando que acontecesse? Bastava um
telefonema e a confusão da minha cabeça sumia. Mas eu não ia fazer isso.
Não sem antes falar com o Tony. Eu precisava ir pra casa e pensar direito. A
volta foi tão horrível quanto a ida. Eu realmente precisava começar a usar
ônibus.
Cheguei super cansada, tomei um banho e depois bati no
quarto do Tony.
Tony: Quem é?
Eu: Sua irmã
favorita.
Tony: Pode
entrar. –ele riu.
Ele estava deitado na cama e se sentou quando eu entrei.
Eu: E aí, tá bem?
Tony: Tô.
Eu: Certeza de
que o amor não bateu na porta?
Tony: Não sei.
Eu: Já te
falei... Não tô afim de interferir nos
assuntos do coração. –ele riu.
Tony: Você é
bipolar ou o que?
Eu: Não gosto
dela, mas se você gosta é o que importa.
Tony: Tô
começando a achar que o amor bateu na sua porta, não na minha. –suspirei- Ele
não é bom pra você, ok? Eu não quero que se machuque.
Dei um sorriso meio se graça e baguncei o cabelo dele. Tony bateu com um
travesseiro em mim. Eu peguei o outro e revidei. Quando dei por mim, estava
correndo atrás dele no quarto, cada um com um travesseiro se esbofeteando até
cair.
Eram três da madrugada, e eu não conseguia dormir. Sabia
que não iria conseguir. Estava confusa demais pra poder dormir. Feliz e triste
ao mesmo tempo, com vontade de sumir. Só que sumir não ia adiantar.
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