Vinte e Três


LUAN ON
Acordei pela terceira vez seguida. Eu não queria levantar, também não podia ficar na cama o resto do dia.
Disquei o número da Fernanda, mas não liguei. Se eu ligasse, o que eu ia dizer? “Ei, não quero ser seu amigo porque estou estupidamente apaixonado”. Não, eu ai acabar estragando tudo. O plano A foi por agua abaixo, o B também. E agora só me sobrava o C: tentar esquece-la.
Mas seria difícil parar de vê-la de vez, então comecei a achar bom ser amiga dela. Sim, era masoquismo. Mas eu não ia conseguir deixar de falar com a Fernanda de vez. Talvez eu descobrisse defeito dela que fosse irremediável e eu deixasse de gostar dela. É, era isso o que eu iria fazer.

LUAN OFF/FERNANDA ON
Quem iria ligar primeiro? Quem deveria fazer isso? Tá, eu usei uma desculpa ridícula pra ter fugido. E ele desligou sem ao menos me dizer tchau! Eu não ia ligar. Aquilo foi como “não quero ser seu amigo, não quero falar com você”
Mas eu não queria deixar de falar com ele. Era bom conversar com Luan. Ele sempre me fazia rir, sempre me animava e... não podia continuar com aquilo. Se eu ficasse conversando e rindo com ele, me apaixonaria. Ainda mais.

Lá estava eu, indo em direção ao Royal Park. Parei minha bicicleta do outro lado e fiquei olhando lá pra dentro. O que eu estava esperando que acontecesse? Bastava um  telefonema e a confusão da minha cabeça sumia. Mas eu não ia fazer isso. Não sem antes falar com o Tony. Eu precisava ir pra casa e pensar direito. A volta foi tão horrível quanto a ida. Eu realmente precisava começar a usar ônibus.

Cheguei super cansada, tomei um banho e depois bati no quarto do Tony.
Tony: Quem é?
Eu: Sua irmã favorita.
Tony: Pode entrar. –ele riu.
Ele estava deitado na cama e se sentou quando eu entrei.
Eu: E aí, tá bem?
Tony: Tô.
Eu: Certeza de que o amor não bateu na porta?
Tony: Não sei.
Eu: Já te falei... Não tô afim  de interferir nos assuntos do coração. –ele riu.
Tony: Você é bipolar ou o que?
Eu: Não gosto dela, mas se você gosta é o que importa.
Tony: Tô começando a achar que o amor bateu na sua porta, não na minha. –suspirei- Ele não é bom pra você, ok? Eu não quero que se machuque.
Dei um sorriso meio se graça  e baguncei o cabelo dele. Tony bateu com um travesseiro em mim. Eu peguei o outro e revidei. Quando dei por mim, estava correndo atrás dele no quarto, cada um com um travesseiro se esbofeteando até cair.

Eram três da madrugada, e eu não conseguia dormir. Sabia que não iria conseguir. Estava confusa demais pra poder dormir. Feliz e triste ao mesmo tempo, com vontade de sumir. Só que sumir não ia adiantar.

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