Vinte e Quatro

Era a minha segunda semana morando com meu pai, e eu já estava com vontade de sumir. Ele queria escolher qual faculdade eu faria, queria que eu deixasse de trabalhar na loja e queria me convencer a ter um carro. Mas essa  não era a pior parte. O pior era ter que olhar pra Janete desfazendo da Cíntia e da Mariana. Nunca tinha ouvido ela falar nada, mas aqueles olhares delas chegavam a me arrepiar. Eu já tinha começado a ter uma amizade com a Cíntia, que era a mais nova.
Quando eu não ficava chateada com o papai ou a Janete, ficava comigo mesma. A minha certeza de que Luan nunca mais falaria comigo só fazia aumentar. E dia sim, dia não, eu chorava, de tanta falta que sentia daquele sorriso. E da mamãe. Ela com certeza sabia o conselho certo pra me dar, mas não conseguia falar sobre isso pela Internet ou telefone.
No mais, a Lia e o pai dela  estavam arrasando nas pequenas reformas da futura confeitaria. Eles concordaram em colocar “Joana” no nome, em homenagem à mãe dela.
Era sábado e eu estava me arrumando pra sair com a Lia. Me arrumei assim
Me maquiei e saí.
Encontrei a Lia e alguns amigos dela na porta da casa de shows. Fomos para a área VIP, já que uma das amigas dela conhecia o dono do lugar. Logo me enturmei com eles. Depois de um tempo, minha amiga me cutucou.
Lia: Olha quem tá ali do lado. Mas olha discretamente.
Disfarcei e olhei pro lado.
A Bruna estava a poucos metros da gente e infelizmente me viu olhar pra ela. Virei o rosto e continuei a dançar. Umas três músicas depois senti alguém me cutucando. Era ela.
Eu: Oi...?
Bruna: Eu queria te pedir desculpas. –ela gritava por causa do som alto.
Eu: Tudo bem; -pedir desculpas talvez fosse o suficiente. Ou não.
Bruna: Mas não é pelo que eu disse aquele dia. –ela sorriu- É por isso.- ela jogou bebida em mim. As pessoas que estavam perto da gente se afastaram.
Eu: Você tá louca?
Bruna: Não se mete mais na minha vida.
Todos olhavam pra mim. Sei que ela esperava que eu dissesse alguma coisa, mas eu praticamente saí correndo de lá. Perto da saída, me bati com o Luan e caí no chão. Ele me ajudou a me levantar.
Luan: O que aconteceu? –senti meus olhos se enchendo de lágrimas e corri de novo. Quando consegui sair, me sentei na calçada, e coloquei a cabeça entre as pernas. Senti alguém sentar do meu lado.  Eu olhei quem era e vi que era o Luan.
Luan: O que aconteceu?
Eu: Me deixa em paz.
Luan: Não. Não tem ninguém aqui atrás, não vou te deixar sozinha em um beco.
Eu: Eu não quero falar.
Luan: Você disse que era pra gente ser amigo.
Eu: Quer saber o que aconteceu? Aconteceu que eu sou uma idiota. Se eu tivesse ficado com a boca fechada, nada disso teria acontecido e a gente... deixa pra lá. –enxuguei o rosto.
Luan: E lá dentro? O que aconteceu lá dentro?
Eu: A mimada egoísta da sua irmã não entendeu que é melhor assim. Se eles... a gente... não vai dar certo, Luan.
Luan: É alguma coisa que eu não sei?
Eu: Não ia dar certo. Mesmo se eles não se conhecessem.
Luan: Cê tá falando do Tony e da Bruna?
Eu: Tô Luan.  Vai embora Luan. –começou a chover.
Luan: Vem comigo.
Eu: Não.
Luan: Você não vai ficar na chuva, Fernanda. –eu me levantei.
Eu: A gente não pode confundir as coisas, Luan.
Luan: Eu não tô confuso, tenho certeza do que eu quero.
Senti que a escova do meu cabelo já tinha saído e que minha roupa estava mais grudada do que nunca. Mas eu não conseguia me mexer, e nem tirar os olhos dos dele.
Eu: E... e o que você quer?

Ele não me respondeu. Simplesmente aproximou seu rosto do meu e me beijou. No momento em que nossos lábios se tocaram pela primeira vez, eu senti um leve choque. Ele me puxou mais pra perto (e nossa, como ele tinha pegada!) e senti que foi muito mais que um beijo. Foi como se por alguns segundos, nos misturássemos e virássemos apenas um.

EAE VIDOCAS! POSTEI ESSES DOIS CAPÍTULOS PRA VOCÊS, EU JÁ TAVA MORRENDO DE SAUDADE VIU? HAHAHAHA O QUE CES ACHAM DE COMENTAR ASSIM, SÓ PRA COMEMORAR, HEIN? :3 KKK BEIIJINHOS DA DAN, E ATÉ AMANHÃ.

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