FERNANDA ON
Cheguei em casa tentando enxugar minhas lágrimas. Meu pai
e a Janete estavam assistindo TV.
Eu: Oi. –disse
indo direto pra escada.
Abel: O que
aconteceu, filha?
Eu: O que? –me
virei.
Abel: Seu
rosto tá vermelho... –ele se levantou.
Eu: Nada
demais pai, besteira minha. Vou pro meu quarto, tá? Boa noite.
Janete: Boa
noite Fernanda.
Abel: Boa
noite filha. Qualquer coisa é só chamar, tudo bem?
Eu: Tá. –subi
pro meu quarto. Era estranho tudo aquilo. A casa era maior, e o banheiro
também. Tudo parecia me deixar sozinha.
Enquanto tomava banho, pensei no porque eu estava
chorando. Por quase quebrar a promessa que fiz ao meu irmão ou porque... Luan
queria um beijo meu e eu não dei. Céus, eu queria um beijo dele também. Mas me
sentia culpada só de pensar nisso. Super
culpada, porque sabia que o Tony devia ter cortado relações de vez com a Bruna
enquanto eu resolvi sair pela “última vez” com o Luan. E adivinha? Eu acabei de
descobrir que tinha me apaixonado por ele.
Acordei mais cedo do que o habitual. Às sete, desci pra
tomar café da manhã. Meu pai e a Janete já estavam comendo, e ao lado deles
estavam duas mulheres, que deviam ser a Cíntia e a Mariana.
Eu: Bom dia.
Janete: Bom
dia.
Abel: Bom dia
filha. Dormiu bem?
Eu: Dormi,
pai. –comemos sem silencio. Estava começando a me incomodar com a M ariana e a
Cíntia paradas e em pé ao lado da mesa. Sorri pra elas. A que aparentava ser a
mais nova, sorriu de volta, mas a outra continuou seria. Tony desceu coma
camisa no ombro e se sentou.
Tony: Bom dia,
Janete: Tony,
a gente já conversou sobre você se vestir pra comer, não foi? –ele vestiu a
camisa.
Abel: Você
podia mudar o turno da faculdade, não acha?
Tony: Eu gosto
de estudar à tarde. Parece que fico o dia todo fora de casa e isso é ótimo.
Eu: Bom, vou
indo... Tenho que testar o meu caminho. Bom dia.
O caminho de casa até a loja não era muito bom de
bicicleta, então eu voltei a considerar pegar ônibus.
Quando cheguei, Lia e o pai dela estavam no que dali a
algum tempo seria uma confeitaria.
Eu: Bom dia!
Lia: Bom dia
amiga! –ela saiu lá de dentro. O pai dela acenou pra mi de longe.
Eu: O que cês
tão fazendo?
Lia: Nós mesmo
vamos arrumar isso aqui. Nada de gastos desnecessários com quem só vai meter a
gente em fria.
Eu: Você quer
dizer “profissionais”?
Lia: É, usam
esse nome também. –rimos- E aí, como foi ontem?
Droga, porque ela tinha de perguntar?
Eu: Quero
esquecer de ontem.
Lia: Não faz
essa cara amiga... –ela pediu.
Eu: Que cara?
Lia: Cara de
quem se arrependeu de fazer alguma coisa.
Eu: É, fiz e
não fiz. Depois a gente conversa, tá?
Lia: Tudo bem.
Antes de ir embora eu dou um pulinho pra te ver.
Fui pra loja e comecei a limpar, já que a loja tinha dois
dias sem abrir. Estava na hora de recuperar o prejuízo.
Depois, fui verificar os e-mails e vi que tinha inscrição
pra vestibular aberta. Naquela
semana eu iria fazer isso.
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?
could it be worse?
Liguei o radio e a música que tocava era Fix You, da
Coldplay. Será que agora toda vez que eu ouvisse Coldplay eu iria lembrar do
Luan agora?
Tears stream down on your face
When you lose something you cannot replace
When you lose something you cannot replace
Ele ter desligado sem me falar nada era o que mais me
matava por dentro. O que será que ele pensou de mim depois daquilo?
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