Onze



Tony: E então, o que de tão importante você quer me dizer? –Tony se sentou numa cadeira em frente à minha. Havíamos combinado de nos encontrar depois que eu fechei a loja, numa lanchonete ali perto.
Eu: Preciso da sua ajuda.
Tony: Pensei que você fosse me pedir desculpas ou algo do tipo.
Fernanda: Eu não te devo desculpas... Mas vou ficar te devendo um favor se você me ajudar.
Tony: Em que?
Eu: A minha mãe provavelmente vai pra São Paulo e eu não quero ir, mas também não quero atrapalhar o sonho dela. Eu sei que não vai ser o paraíso se eu simplesmente aparecesse na casa do papai com as malas.
Tony: Vou começar a trabalhar logo logo. A gente podia rachar as contas e quem sabe morar juntos por um tempo. Eu tô querendo sair de casa. –olhei pra ele um pouco desconfiada que isso fosse acontecer, mas me deixei levar pela sensação de ter alguém pra me acompanhar.
Eu: Sério? Mesmo? Mas ela vai já na próxima semana, não sei se dá tempo.
Tony: Então a gente devia começar a procurar um apartamento agora.
Abracei o Tony forte, talvez tenha sido o abraço mais forte que eu já tinha dado nele até ali.
Eu: Obrigado. Mesmo. Mudar de Londrina seria horrível pra mim, logo agora. Eu teria que deixar a loja na mão de um desconhecido e tudo mais...
Tony: Você se apegou mesmo àquele lugar, hein? –rimos- Tudo bem, vai ser legal morar com você. Você só tem que se comportar.
Eu: Eu sou a mais velha, eu tinha que te dizer isso.
Tony: Mas eu sou o homem. Então logicamente, eu que tenho de tomar conta de você.
Eu: Ah, nem vem que isso não cola comigo.
Depois disso eu fui pra casa. Eu tinha que dar minha decisão a minha mãe e o Tony tinha que conversar com o papai.
Quando cheguei em casa, minha mãe estava cozinhando. Tinha muito tempo que ela não fazia isso. Tomei banho e desci.
Eu: O que cê tá fazendo, mãe?
Luiza: Macarronada. Parece que tá ficando bom. –ela riu- Quer me ajudar com a salada?
Eu: Quero. –comecei a fazer as coisas- Encontrei com o Tony hoje. –ela não disse nada- Mãe... Eu quero ficar em Londrina.
Luiza: Tá bem. Eu falo que não vou também, é só pra eu não ficar longe mesmo, o aumento não é tão grande. Tá tudo bem.
Eu: Não mãe, eu... Vou morar com o Tony.
Ela ficou com o olhar fixo na panela, mexendo o molho.
Luiza: Você tem certeza?
Eu: Tenho.
Luiza: Onde?
Eu: A gente ainda não sabe, mas acho que ele já tava planejando se mudar, então deve ter uma ideia.
Luiza: Pode ficar assim se... Se vocês quiserem. –ela largou a colher e me abraçou- Pelo menos você não vai ficar sozinha.
Eu: É, aqui vai ficar bem melhor. Eu te amo mãe.
Luiza: Também te amo minha filha. Muito.
Abracei minha mãe o mais forte que pude. Ia ser difícil ficar longe dela, mas com certeza ia ser mais difícil pra ela ficar longe de mim.
Pensei no que tinha feito. Talvez fosse a coisa mais egoísta do mundo, ou talvez fosse o que eu realmente precisava fazer.
Jantamos e antes de dormir, postei uma foto no Instagram com a legenda “@lia_alves me aguarde amanhã rsrs boa noite!” Luan me seguiu, o que fez meu sorriso ir de orelha a orelha. Pra minha total surpresa, a Bruna também.
Curti algumas fotos e depois fui dormir. Tinha uma surpresa nos planos do dia seguinte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário